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22/4/09

Por que tão poucos metrôs brasileiros?

A malha ferroviária brasileira para transporte de passageiros dentro das cidades não é: suficiente, moderna, confortável e rápida em um país que precisa entregar estrutura necessária para que as pessoas sejam mais produtivas e tornem o país mais competitivo.

Episódios como os que aconteceram no dia 15 de abril causaram espanto na sociedade somente porque houve uma gravação em vídeo de uma situação que ocorre mais rotineiramente do que se imagina. E o espanto deveria ser maior, e mais rotineiro, diante das imagens igualmente agressivas de pessoas tentando embarcar/desembarcar nos trens e metrôs brasileiros. Falta metrô, faltam trens, faltam estações… Essa é a gravidade da história!

Essas faltas ficam visíveis quando se comparam os mapas de metrôs e trens urbanos de cidades como São Paulo 1 ou 2, Rio de Janeiro, Brasília, Recife 1 ou 2 (vide Citix), com mapas de cidades como Paris, Tókio, Londres ou Nova Iorque.

Provavelmente as operadoras de metrôs brasileiros, com seus serviços à população, dirão que não tem condições de oferecer uma malha mais abrangente dentro das cidades, visto que faltam: espaço, infra-estrutura e, principalmente, vontade política. E não há como as parcerias público-privadas diminuírem os custos de investimento diante dos riscos e das incertezas do retorno investido. Isso é verdade, porém uma verdade dentro de uma linha de raciocínio.

O problema é a falta de visão sistêmica da necessidade de locomoção das pessoas. Se somarmos os custos sociais e estruturais de: engarrafamentos e a soma dos atrasos dentro das cadeias produtivas; manutenção [de ruas, avenidas, sinais de trânsito, placas, tintas para sinalização]; excesso de carga sobre as vias [e a compressão da rede de águas, esgotos e cabos]; acidentes [de pequena, média e grande escala que impactam em mais leitos ou a falta deles nos hospitais]; estresse de quem chega para trabalhar, estudar ou comprar; falta de estacionamento suficiente e seus riscos [flanelinhas, roubos, assaltos]; diminuição de calçadas e outras vias para pedestres [para dar mais espaço para veículos]; poluição [sonora, visual, do ar, do solo]; poderemos encontrar valores mais altos do que os investimentos necessários para uma boa malha.

Alguns gestores públicos também argumentarão que esses custos não fazem parte da sua planilha e não há como orçar tais prejuízos. Essa é a face mais notória da gestão do nosso país: um conjunto de ministérios e secretarias que não se comunicam, não fazem parcerias e cujos resultado dessas gestões estratificadas e verticais inviabilizam o crescimento do país.

Outro argumento é a falta de espaço para a estrutura de linhas, terminais de passageiros, etc. Recife, por exemplo, é abaixo do nível do mar - o que inviabiliza um projeto de “subway” - mas não afasta a possibilidade de alguns pontos de metrôs elevados, como o projeto em Curitiba.

Em um cenário ideal - com boa distribuição da malha e gestão adequada - provavelmente teríamos menos estresse, engarrafamentos, buracos, acidentes, poluição, etc., e poderíamos morar um pouco mais longe do trabalho - numa cidade mais ao interior -, uma vez que gastaríamos o mesmo tempo para chegar nos nossos destinos!

O Obama já pensou nisso, quando planeja gastar 13 bilhões de dólares, nos próximos cinco anos, na construção de metroferrovias nos principais corredores dos EUA: “imagine deslizar através das cidades com velocidade maior que 160 km/h, andando alguns metros para chegar até o transporte público e parando somente a algumas quadras do seu destino”, disse.

Somos um povo que se espreme para ir ao trabalho [seja de bicicleta, moto, carro, ônibus, metrô], e com melhor estrutura de ir e vir seríamos ainda mais produtivos. Merecemos coisa melhor.

6/4/09

As chuvas param as cidades brasileiras

Chuvas geralmente são uma maravilha quando se pode aproveitar para molhar as plantas, encher as barragens, ter mais água nas cachoeiras, brincar nas bicas, lavar as ruas, etc. Algumas cidades ficam mais bucólicas, as pessoas ficam mais reflexivas - encorujadas, diriam uns - e muitos sonham em ficar em casa, pegar um livro e tomar uma xícara de café ou chocolate.

Mas toda essa poesia nem sempre é possível nas nossas grandes cidades. A chuva se torna uma barreira que atormenta, ano após ano, o ir e vir das pessoas para os seus destinos. Daí - diferente da cena do livro e chocolate quente - o que mais pode ser visto são pessoas atrás de vidros embaçados de carros e ônibus, pessoas com sapatos e calças encharcados, e o semblante entristecido de quem não sabe se vai conseguir chegar… isso sem falar das quedas de barreiras, dos rios transbordando, das casas com água na janela. Basta pesquisar rapidamente e várias informações sobre a mesma história vem se repetindo ad infinitum. E não é à toa que todos os jornais, invariavelmente, apresentam a previsão do tempo: o problema é que a previsão se transforma em pouco planejamento e em mínimas ações.

O inverno está se aproximando e vários outros invernos virão. Para o que já está aí, nos resta lembrar por onde era o atalho ou o lugar que alagava menos, ou mesmo qual era a hora de botar o fogão em cima da geladeira.

Muito dos alagamentos nas grandes cidades se dá pela dificuldade da água escoar para um canto mais baixo - e porque o asfaltao funciona como um impermeabilizante direcionando a água para os poucos funis (bueiros) existentes e para pouco espaço lá embaixo para tanto volume de água. Com certeza haverá quem diga que fazer esgotamento não garante eleição [obra que o povo não vê] e que naõ seja assim tão necessário. Mas o Brasil, esse país que conhece pouco de seu próprio comportamento e se pesquisa tão pouco, pode vir a descobrir que são incalculáveis os prejuízos com perda de produtividade. E aí, fazendo-se as contas, saberá que fazer um bom sistema de escoamento e esgoto seria um investimento irrisório.

Com planejamento e boa execução, podemos chegar ao que o Japão já tem. E quem sabe não podemos descobrir o mesmo que eles

criado por citix    16:28 — Arquivado em: Sem categoria, cidades, esgotos, trânsito — Tags:, , ,
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